As possíveis complicações da Toracocentese

As principais complicações do procedimento de toracocentese decorrem da técnica inadequada de realização, desde o mal posicionamento do paciente até a má indicação do procedimento ou a escolha de sítio inadequado para punção.

Com certeza as complicações mais frequentes e mais temidas são as punções inadvertidas de vísceras:

– Pulmão: caso o conteúdo pleural seja escasso ou a punção seja realizada em local inadequado, ou ainda caso a agulha seja introduzida em demasia dentro do espaço pleural, a lesão pulmonar pode ocorrer. Ela pode levar a um pequeno trauma sem consequências – visto que o pulmão é um órgão elástico capaz de auto conter pequenos traumas – como pode ocasionar uma fístula broncopleural da qual decorrerá um pneumotórax iatrogênico.

– Fígado e baço: são as principais vísceras sólidas abdominais que podem ser lesionadas durante a toracocentese, especialmente quando o procedimento é realizado em espaços intercostais mais inferiores. A utilização de ultrassonografia e a escolha de local tradicional de punção minimizam muito esse risco.

– Coração: embora rara, pode ocorrer especialmente em pacientes com cardiomegalia e insuficiência cardíaca, nos quais o coração se aproxima mais da parede torácica. Caso haja uma alteração eletrocardiográfia durante o procedimento, é necessário retirar a agulha imediatamente e solicitar o parecer de um cardiologista. Caso haja sabidamente cardiomegalia e a punção a ser realizada seja no hemotórax esquerdo, u lizar o auxílio de um aparelho de ultrassonografia.

– Feixe vásculo-nervoso: com certeza a lesão mais comum. Pode causar desde dor local e parestesias, assim como dor em todo o dermátomo, hematomas locais e, mais gravemente, hemotórax. Para evitá-lo, escolha adequadamente o tamanho do dispositivo, realize sedo-analgesia adequada e respeite a recomendação de introduzir a agulha na borda superior da costela inferior do referido espaço intercostal. Entre dois arcos costais temos músculos, nervo intercostal e vasos sanguíneos, este feixe vásculo-nervoso corre na face inferior de cada costela. Sendo assim, para evitar lesões do mesmo, a inserção da agulha sempre deve ser realizada na borda superior da costela inferior do espaço intercostal escolhido.

As outras complicações possíveis são: infecção de sítio de punção, pneumotórax iatrogênico (não por lesão pulmonar, mas por entrada de ar na cavidade pleural através do dispositivo) e edema pulmonar de reexpansão.

REFERÊNCIA
Série Manuais Terzius. Manual do curso Habilidades Médicas Pediátricas. Instituto Terzius, Campinas, Volume 1, 2019.

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