Caso Clínico l Teste seus conhecimentos

E.R.F., sexo masculino, 23 anos.

Paciente vítima de colisão frontal de moto x carro. Constatado óbito do condutor no local.

Vítima estava na garupa da moto e foi admitida aproximadamente 30 minutos após o trauma.

Atendimento inicial
A: via aérea pérvia, sem obstruções, imobilizada com colar cervical e prancha rígida
B: FR: 20, Saturação de oxigênio 95% com máscara de O2 a 15 litros/minuto
C: PA 200 x 130 mmHg, FC: 120 bpm
D: Glasgow = 15
E: Sem ferimentos externos

Diagnóstico
A: Pneumotórax hipertensivo
B: Lesão da árvore traqueobrônquica
C: Lesão de aorta torácica
D: Hemotórax maciço
E: Dissecção aguda de aorta

Resposta

C – Lesão de aorta torácica

As lesões aórticas nos traumatismos torácicos fechados são caracterizadas por uma alta mortalidade pré-hospitalar. Apesar de constituírem a segunda principal causa de óbito nos acidentes automobilísticos, elas são raras nos serviços de emergência, mesmo nos maiores centros de trauma (2,6 casos-ano em estudo multicêntrico realizado nos EUA e Canadá; 2,5 casos-ano em nossa instituição) (1,2).

Assim sendo, o diagnóstico deve ser baseado em um alto índice de suspeita, de acordo com o mecanismo de trauma, e na realização dos exames radiológicos apropriados. Em 1958, Parmley et al. já propunham uma investigação diagnóstica agressiva e o imediato tratamento cirúrgico das lesões identificadas baseados na observação, em um estudo de autópsias, de que cerca de 15% dos pacientes com lesões aórticas sobreviviam ao trauma inicial e se apresentavam estáveis hemodinamicamente na admissão hospitalar, evoluindo com mortalidade de 30% nas 6 horas iniciais, 40% em 24 horas, 72% na primeira semana e 90% após 10 semanas, se nenhum tratamento fosse instituído. (3)

Os acidentes automobilísticos são a principal causa das lesões aórticas nos traumatismos fechados, sendo caracterizado um aumento do número de casos nas últimas décadas (56% dos casos no estudo de Parmley et al., em 1958, e 72 a 81% em estudos mais recentes)(3-5). A relativa fixação da aorta descendente em relação ao coração e arco aórtico no momento de desaceleração e impacto nesses acidentes justifica a lesão aórtica próximo ao istmo.

O diagnóstico da lesão aórtica em pacientes politraumatizados é baseado no mecanismo de trauma ou em uma radiografia torácica suspeita, sendo o alargamento mediastinal a alteração mais relevante. (2)

Fontes
1. Fabian TC, Richardson JD, Croce MA, et al. Prospective study of blunt aortic injury: multicenter trial of the American Association for the Surgery of Trauma. J Trauma. 1997;42: 374-81. 4.
2. Nagy K, Fabian T, Rodman G, Fulda G, Rodriguez A, Mirvis S. Guidelines for the diagnosis and management of blunt aortic injury [banco de dados na Internet]. Winston-Salem, (NC): Eastern Association For The Surgery of Trauma.© 2000 [atualizado 23 de janeiro de 1998; citado 11 de julho de 2005]. Disponível em: http://www.east.org/tpg/chap8.pdf.
3. Parmley LF, Mattingly TW, Manion WC, Jahnke EJ. Nonpenetrating traumatic injury of the aorta. Circulation. 1958;17:1086-101.
4. McGwin G, Reiff DA, Moran SG, Rue LR. Incidence and characteristics of motor vehicle collision – Related blunt thoracic aortic injury according to age. J Trauma. 2001;52: 859-65.
5. Dosios TJ, Salemis N, Angouras D, Nonas E. Blunt and penetrating trauma of thoracic aorta and aortic arch branches: an autopsy study. J Trauma. 2000;49:696-703.

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