Classificação de Mallampati l Você sabe fazer a avaliação da via aérea?

É imperativo que a via aérea do paciente que será submetido a intubação traqueal eletiva seja rigorosamente avaliada. Algumas pistas importantes indicativas de uma possível via aérea difícil são fornecidas pelo exame físico e pela anamnese do paciente.

A classificação de Mallampati é frequentemente utilizada pelos anestesiologistas e pode ajudar na previsão de via aérea difícil. Com o paciente sentado, deve-se solicitar que o mesmo abra a boca e projete a língua toda para fora sem fonação. A não visualização de certas estruturas da faringe podem prever uma intubação difícil, porém a classificação de Mallampati é um melhor preditor quando associada aos outros indicadores de via aérea difícil.

• Na classe I de Mallampati todas as estruturas são visualizadas: os pilares amigdalianos, a úvula, o palato duro e palato mole.
• Na classe II são visualizados úvula, palatos duro e mole.
• Na classe III somente os palatos duro e mole são visualizados.
• Na classe IV somente o palato duro é visualizado.

Classificação de Mallampati

Os componentes do exame físico da via aérea incluem o comprimento dos dentes na arcada superior, a relação entre a arcada superior e inferior durante o fechamento mandibular normal, a relação entre a arcada superior e inferior durante a protrusão voluntária mandibular, a visibilidade da úvula, o formato do palato, a complacência do espaço mandibular, o comprimento e a espessura do pescoço e a amplitude de movimentos da cabeça e pescoço.

A própria avaliação pela classificação de Mallampati torna-se impossível, pois o exame é realizado com o paciente sentado e suficientemente consciente para colaborar projetando a língua toda para fora da boca.

Por isso, ao ser chamado para uma intubação de emergência o médico deve fazer uma avaliação geral do paciente em decúbito dorsal, observando, rapidamente, se há alguma possível alteração anatômica da boca e da região cervical, como:

• Tumores: Higroma Cístico, Hemangioma, Hematoma.
• Infecções: Abscesso submandibular, Abscesso peritonsilar, Epiglotite.
• Anormalidades Congênitas.
• Corpo Estranho.
• Trauma: Fratura de mandíbula e maxila, Queimadura por inalação, Lesão de coluna cervical.
• Obesidade.
• Extensão cervical inadequada: Artrite reumatoide, Espondilite Anquilosante.
• Variações Anatômicas: Micrognatia, Prognatismo, Língua grande, Palato arqueado, Pescoço curto, Incisivos superiores proeminentes.

REFERÊNCIA

Série Manuais Terzius. Manual do curso Acesso à Via Aérea na Emergência. Instituto Terzius, Campinas, Volume 2, 2018.

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