Preparação para Laringoscopia

A preparação para intubação traqueal inclui a checagem do equipamento e o posicionamento adequado.

Em caso de necessidade de uso do fio-guia deve-se atentar para correta inserção evitando que a ponta do fio-guia ultrapasse a extremidade que será inserida na traqueia a fim de evitar lesão da mesma. Após a inserção do guia na sonda traqueal a ponta deve ser dobrada em L, pois esse formato facilita a intubação em caso da laringe anatomicamente anteriorizada. A lâmina deve ser acoplada e a luz devidamente testada.

É imperativo que haja um equipamento de aspiração montado e devidamente testado para o caso de necessidade de aspiração de sangue, secreções ou êmese.

Frequentemente, o sucesso da intubação depende do correto posicionamento do paciente. A cabeça do paciente deve estar posicionada ao nível do processo xifoide do médico.

A posição ótima para a laringoscopia é a posição olfativa ou “sniffing position”, que se caracteriza por uma discreta elevação da cabeça e extensão da articulação atlanto-occipital do paciente. A flexão da porção inferior da coluna cervical é obtida através da colocação de um coxim embaixo da cabeça. O posicionamento correto do paciente garantirá o alinhamento dos três eixos: o oral, o laríngeo, e o faríngeo.

A preparação para intubação também envolve a pré-oxigenação do paciente. Deve-se pré-oxigenar com O2 a 100% por três minutos a fim de promover a desnitrogenação pulmonar e garantir um maior tempo de apneia durante a tentativa de intubação. Todo paciente deve ser pré-oxigenado.

Deve-se ter em mente que neonatos e crianças pequenas possuem um número limitado de alvéolos que acabam por reduzir a complacência pulmonar. Em contrapartida, a caixa torácica cartilaginosa aumenta a complacência da parede torácica. Essa combinação de fatores promove um colapso da parede torácica durante a inspiração e uma relativa diminuição do volume residual pulmonar durante a expiração. Como resultado se tem uma capacidade residual funcional diminuída que determina limitadas reservas de oxigênio durante períodos de apneia, como na intubação, além de uma predisposição à atelectasias e hipoxemia.

Esse mesmo grupo apresenta ainda algumas variações anatômicas importantes quando comparado aos adultos e que devem ser consideradas na hora da intubação. Proporcionalmente, possuem tanto a cabeça quanto a língua maiores, passagem de ar nas narinas mais estreitas, laringe mais anteriorizada e cefálica, epiglote longa e traqueia e pescoço curtos. Essas características fazem deles respiradores nasais até os cinco meses de idade. A cartilagem cricoide é o ponto mais estreito da via aérea em crianças menores que cinco anos de idade.

O laringoscópio deve ser sempre manejado pela mão não dominante (mais frequentemente a esquerda). Com a boca do paciente bem aberta e o correto posicionamento da cabeça, a lâmina do laringoscópio deve ser introduzida pelo lado direito da orofaringe, sempre tomando o máximo de cuidado com os dentes. A língua é então desviada para a esquerda e para baixo. A ponta da lâmina curva é inserida na valécula, enquanto a ponta da lâmina reta sobre a epiglote. A valécula é o recesso que se situa entre a base da língua e a face superior da epiglote.

Série Manuais Terzius. Manual do curso Habilidades Médicas 1. Instituto Terzius, Campinas, Volume 2, 2020.

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